ESTREIA 27 DE MARÇO
[ DIA MUNDIAL DO TEATRO ]
“AS CRIADAS” DE JEAN GENET A PARTIR DE PAULA REGO
No FORNO - Espaço Cultural, em Rio de Mouro, às 21h30
A criação teatral “As Criadas” de Jean Genet, encenada a partir da obra homónima de Paula Rego, explora temas como o poder, a (in)submissão e a identidade feminina.
Rego inspira-se no texto de Genet para desenhar personagens fortes e ambíguas: mais agentes de subversão (em Genet, às vezes de si próprias) e menos vítimas inapeláveis.
O espetáculo resulta desse fluxo criativo que junta dramaturgo, pintora e actrizes.



| FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA |
Texto: Jean Genet
Tradução: Luiza Neto Jorge
Encenação: Paulo Campos dos Reis
Dramaturgia: Jaime Rocha | Paulo Campos dos Reis
Interpretação: Carolina Salles | Cirila Bossuet | Rute Lizardo
Música: Rui Neves | Filipe Simões
Design gráfico | Imagem: Luís Lopes
Fotografia: Pedro Francisco
Operação de som e luz: Ricardo Pimenta
Contabilidade: Fisconthabilidade
Secretariado de Produção/Área Administrativa: Carina Soares
Produção executiva: Cidália Pereira | Ricardo Soares
Agradecimentos: Paula Hespanha, Bárbara Cabral, Hélia Correia, Mário Trigo, Matilde Reis, Rui Neves, Filipe Simões e Associação Casa Jaime Rocha
Produção: Musgo Produção Cultural
Apoio: República Portuguesa – Cultura / DGARTES, Fundação D. Luís I – Casa das Histórias Paula Rego, Câmara Municipal de Sintra, Câmara Municipal de Oeiras, Junta de Freguesia de Rio de Mouro e União das Freguesias do Cacém e São Marcos
REGO & GENET
Inspirada no texto de Genet, Paula Rego, uma das mais reconhecidas artistas portuguesas contemporâneas, pintou a sua visão de “As Criadas” (em 1987) glosando um dos temas recorrentes da sua obra visual: a representação de mulheres sujeitas a iniquidades (discriminação de género no desempenho de papéis sociais e afectivos) mas em cujas figuras, no entanto, se espelha- expressões, poses, fisicalidade- menos a ideia de vitimização inapelável e mais a expressão de sublevação anímica – subtil ou explosiva- contra “os poderes”.
Tomamos esta agenda (não “sindical”) de Rego para emprestar “ética e estética” às figuras que Genet recortou no seu texto, fazendo dialogar, numa criação teatral inovadora e original (sem precedentes, presumimos), as obras destes dois criadores icónicos, ao mesmo tempo que corroboramos a urgência de uma reflexão em torno do papel social (e íntimo) da mulher desconstruindo lugares-comuns através da “encenação de oxímoros” como “feminilidade masculina” ou “fragilidade bruta”.

UMA OBRA-PRIMA MUITO SINGULAR
Jaime Rocha
O ódio à flor da pele, o rancor, o desprezo, a insinuação, a mentira, as palavras que se dizem dentro de um turbilhão emocional, numa luta constante pela liberdade individual, contra todos os poderes, contra a escravatura moderna, no fundo, assumidamente, uma luta de classes entre patrões e empregados. Jean Genet criou estas personagens femininas a partir de uma realidade que ele bem conhecia, enquanto marginal e contestatário do sistema, e encontrou as palavras certas dentro de uma complexidade textual muito singular.
Sendo das primeiras peças que o dramaturgo escreveu, já aqui se vê e sente o génio talentoso que nasceu com ele, transformando-o no dramaturgo mais controverso e libertário do século XX francês, ao ponto de o filósofo e escritor emblemático dessa época, Jean Paul Sartre, o apelidar de Saint Genet. O teatro francês e mundial nunca mais foram o mesmo e as lutas deste escritor pela defesa dos negros e dos palestinianos marcaram para sempre a postura revolucionária dos intelectuais e escritores franceses. AS CRIADAS é uma obra-prima do teatro de todos os tempos. E em boa hora a MUSGO a leva agora à cena.
GOSTAVA QUE ELA GOSTASSE
Paulo Campos dos Reis
Em Dezembro de 2003, escrevi uma carta a Paula Rego a pedir-lhe que fizesse, nada mais, nada menos do que a cenografia e os figurinos para uma criação na qual, nessa altura, eu estava a trabalhar: justamente “As Criadas” de Jean Genet. Em 1987, Paula tinha composto um quadro, homónimo, que muito me fascinava. Nesse quadro, a pintora reinterpreta a peça do dramaturgo francês, pintando-o de uma forma profundamente teatral: não só, formalmente, objectos, indumentária, “casting “ das figuras, poses, luz, são compostos com “olho clínico” de palco; como a própria leitura da história que esta disposição de elementos revela, dá testemunho da sua excepcional intervenção dramatúrgica e capacidade de apropriação criativa. Identifiquei-me de tal modo com esta metodologia que não hesitei em endereçar-lhe, pouco tempo depois, o desassombrado convite.
Escrevi-lhe uma carta extensa a expressar a imensa admiração que tinha – e tenho- pela sua obra, descrevendo as vívidas impressões que as suas pinturas me causavam – e causam- e, sem pensar, meti-a no correio. Esperei ansiosamente pela resposta até que no dia 17 de Janeiro de 2003, recebi o fax que, ainda hoje, guardo religiosamente.
É o termo: religiosamente:
Caro Paulo Campos dos Reis
Agradeço imenso o seu convite e a tão simpática carta que me escreveu. Não posso, no entanto, colaborar na vossa encenação d’As Criadas. Não tenho jeito nenhum para cenários e os fatos faço-os para os quadros, o que é um pouco diferente visto que nos quadros estou sempre a mudá-los. Felicidades para a produção.
Paula Rego
Vinte e três anos passaram sobre esse fax. Hoje estreamos “As Criadas” de Jean Genet a partir de Paula Rego, na nossa casa, o FORNO- Espaço Cultural, e a Casa das Histórias Paula Rego concordou, gentilmente, em acolher algumas récitas. Ela não será a cenógrafa e aderecista desta produção. Não estará na plateia. Tenho pena. Mas quando a cortina descer, sinto que, de algum modo, lho devia. E gostava que ela gostasse.
Uma palavra para a equipa extraordinária que levantou este criação, em particular para as três actrizes que se jogam, inteiras, nestas figuras tremendas que Genet concebeu. Actrizes, mulheres, mães, companheiras, amigas.
Por último, um agradecimento muito particular à Junta de Freguesia de Rio de Mouro, na pessoa de Raquel Amaral, sua presidente, pelo apoio indefectível à Musgo Produção Cultural que, este ano, em torno desta criação, celebra, plenamente, o Dia Mundial do Teatro com um conjunto integrado de actividades, dirigidas a faixas etárias e instituições diversas.


[ ESTREIA]
FORNO - Espaço Cultural
27, 28 e 29 de Março
Sexta e Sábado. às 21h30.
Domingo às 17h00.
Rio de Mouro, Sintra.
(14 min. a pé da estação de comboio de Rio de Mouro)

[ OUTRAS APRESENTAÇÕES ]
PALÁCIO ANJOS - Centro de Arte Contemporânea
10 e 11 de Abri
Algés, Oeiras.


Casa das Histórias Paula Rego
30 de Abril, às 11h.
3 de Maio às 16h.
Av. da República 300, 2750-475 Cascais
ESCOLA EB 2,3 RAINHA D. LEONOR DE LENCASTRE
28 de Maio 2026
São Marcos, Cacém.
